Ilusão

mar29

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O que, realmente, tem importância na nossa vida? Será que sabemos discernir, com sabedoria, o que nos conduz por caminhos de uma ilusão passageira e vazia?

Todo mundo sabe o que é melhor para si.  Ou, pelo menos, deveria.  Existem pessoas que acreditam que o melhor são aquelas coisas que dão prazer, mas que são despidas de conteúdo moral, filosófico, espiritual, religioso, educacional, artístico, político, etc.  São as futilidades da vida, as tão famosas ilusões do mundo.

Por que são ilusões?  Porque não existem?  Existem, mas não na verdade mais profunda do universo de Deus.  São coisas transitórias, das quais nos despiremos quando empreendermos a grande viagem rumo ao astral.  São coisas que ficarão na Terra.  O que pertence à alma, levaremos conosco.  O que for da matéria permanecerá na matéria.   Tudo aquilo que podemos perceber através de um dos nossos sentidos físicos ficará por aqui mesmo.  E se, por algum motivo, continuarmos sentindo tais coisas, é porque estaremos carregando a ilusão conosco.  Apegados aos valores efêmeros da matéria, alguns podem encontrar dificuldade em se desligar de seus bens, de seus prazeres, de seu poder.

Aquilo que construirmos de bom, jamais perderemos.  Bons sentimentos, pensamentos edificantes, atitudes dignas, tudo isso vira patrimônio eterno e inalienável do espírito.  É o que constituirá a nossa roupagem etérea nas próximas vidas, para ser revestida pelo corpo físico, que tão passivamente se doa às nossas experiências.  Não podemos perder a noção de que nada nos pertence de verdade.  Deus, que é o criador do universo, nos emprestou todas as coisas para que vivêssemos felizes e em harmonia uns com os outros. Aquele que se rebela contra essa verdade subverte a ordem divina e impõe a si mesmo existências futuras difíceis e aflitivas.  E tudo isso para quê?  Para, no final de tudo, perceber que a vida não acaba, mas os deleites, sim.

Que ninguém veja nisso um motivo para cultuar a pobreza, a miséria ou as privações.  Não.  Deus não quer o nosso sofrimento, a nossa desgraça, o nosso fracasso.  Quer que sejamos felizes, que usemos tudo aquilo que foi posto no mundo para nosso benefício.  Dinheiro, beleza, projeção social, bens materiais, tudo isso pode e deve ser utilizado pelo homem, mas com sabedoria e discernimento.  Não podemos nos distanciar da nobreza da alma, dos valores imateriais que compõem o patrimônio espiritual.

Os bens corpóreos existem para nos servir, não o contrário.  Não somos nós que devemos viver em função da matéria.  Ela é que existe em razão da nossa existência.  Sem bens, a vida continua.  Sem vida, os bens não têm a menor utilidade.  Perdem-se, deterioram-se, consomem-se. Daí porque é muito importante a consciência de que não devemos nos tornar escravos da matéria. É preciso usar a nossa mente com bom-senso, inteligência e equilíbrio para que ela ponha os nossos desejos sob o seu domínio, com um temperinho de amorosidade, compaixão e compreensão.

Deixar-se levar por essas ilusões é alimentar o egoísmo, a vaidade, o orgulho. Quem se julga mais importante ou melhor, na verdade, está ainda muito longe do ápice da evolução.  Autovalor é essencial para o reconhecimento das nossas virtudes, nosso potencial, nossa capacidade.  Ninguém deve fingir que não é bom naquilo que sabe que é, mas é preciso que esse reconhecimento não desmereça o próximo.  Se temos valor, o outro também tem.  Se somos bons, o outro também é, ainda que numa habilidade diferente da nossa.  E, como o mundo precisa de todos os talentos, a conclusão a que se chega é que não existe talento melhor do que o outro.  Todos são necessários. O serviço de faxina é tão útil quanto o governo de um país,  muito embora ambos tenham alcance, responsabilidades e proporções diferentes.  Cada um na sua seara, todos são importantes.

Por vezes, presos aos desvarios de nossos desejos, ávidos por conseguir sempre um pouco mais de tudo, perdemos a oportunidade de desfrutar de coisas simples, mas que realmente possuem valor.  Coisas pelas quais não precisamos pagar, mas que deleitam a alma de tal forma, que nos sentimos renovados, refeitos, fortalecidos, prontos para enfrentar os torvelinhos diários.  São os sorrisos, os animais, as crianças, o mar, a montanha, as estrelas, as flores, o céu.  Ninguém paga nada por elas e, talvez por isso, poucos sejam aqueles que reconhecem o quanto são valiosas.

Precisamos aprender a cultivar para semear o que nos traz iluminação.  Na luz, não há ilusões.  Nas sombras, a ilusão se dissipa à medida que compreendemos o poder das coisas realmente importantes.  Nem sempre o que vemos é o que existe.  Às vezes, somos iludidos pelo nosso orgulho, que dita regras ao nosso coração como se ele fosse o dono da nossa vontade.  Mas não é.  Devemos buscar dentro de nós o que pensamos existir no plano exterior, porque a iluminação da nossa alma reside em nosso próprio coração, que jamais se deixa iludir.  Por que não adquirir o costume de ouvi-lo?

De tudo, fica uma certeza: a vida é para ser vivida com alegria, e a maior alegria é saber que Deus está à nossa espera.  Nisso, não há ilusões.

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