Ilusões do Mundo

jul12

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As ilusões enxameiam por toda parte. De tão acostumados a elas, pensamos que são as coisas que realmente possuem valor na vida. Todos nós somos enredados por suas teias, porque tudo o que fazemos tem por objetivo a satisfação dos nossos desejos.

Estamos acostumados a taxar as coisas de realidade ou ilusão, conforme se encaixem ou não nas limitadas possibilidades desse mundo material em que vivemos.  E essa pode ser a nossa primeira ilusão.  Nós e as coisas que aqui estão são a única realidade do momento, visíveis e palpáveis, perceptíveis aos nossos sentidos.  Mas nem só de matéria física o homem e o mundo são feitos.  Para além dessa nossa estreitíssima realidade de três dimensões, muitas outras existem, às quais, por enquanto, ainda não temos condições de compreender nem experienciar.

Com o intuito de ganhar experiências e evoluir, nossa alma mergulha no físico, onde recebe cinco sentidos, por intermédio dos quais, fará contato com o mundo.  Através deles, experimentamos todas as coisas que a matéria pode oferecer.  Como esse mundo é voltado para a satisfação dos desejos materiais, nossa alma, esquecendo-se de sua origem divina, deixa-se seduzir pelos prazeres e despenca no abismo das ilusões.

Descendo ao mundo físico, nosso espírito perde a alegria genuína que tinha quando ainda ligado à divindade.  Como não temos mais a alegria interior, passamos a buscá-la no mundo externo.  Daí porque nos apegamos a tudo que parece nos trazer felicidade ou prazer, assim como repelimos o que nos causa dor.

A sedução dos sentidos opera em todos nós, independentemente de condição social, econômica ou cultural.  Quanto mais inteligentes, cultos e sábios pensamos que somos, mais fácil nos enredamos nas teias dessa ilusão.  A erudição, muitas vezes, traz a arrogância e o orgulho, dificultando a compreensão das verdades divinas, que são muito simples.  Tudo o que se faz com amor recebe o reconhecimento da natureza, e para amar, ninguém precisa ser sábio.

Isso não quer dizer que não devemos ter desejos ou que devemos lutar contra eles.  O que precisamos é de discernimento.   Não podemos nos tornar escravos dos nossos desejos.  Temos que dominá-los, ao invés de permitir que eles nos dominem.  Quando isso acontece, abraçamos o materialismo e nos afastamos dos verdadeiros valores do espírito, descendo cada vez mais fundo no oceano inebriante das ilusões.

O que desejos não podem é se transformar em vícios.  A vigilância sobre os nossos sentidos deve ser constante.  Precisamos de discernimento para reconhecer quando os desejos estão ultrapassando os limites da razoabilidade para podermos freá-los.  O exagero não faz bem a ninguém.  Quando percebermos que estamos exagerando, temos que ter força de vontade para renunciar.

Renúncia não é pouco caso nem negligência.  É desapego.  Tudo o que conquistamos honestamente é nosso por direito e nos é lícito aproveitar.  Mas precisamos ter consciência de que não somos donos, realmente, de nada.  Somos meros usufrutuários dos bens terrenos.  Nada nos pertence de verdade.  Usamos tudo por empréstimo da vida.  Quando morremos, devolvemos a ela os bens conquistados para serem transferidos a outros, sem que nada possamos fazer quanto a isso.

Temos que aprender a separar o que é real do que é ilusão.  Esse reconhecimento  decorre do tempo de permanência das coisas em nossas vidas.  Tudo o que é passageiro é ilusão.  Apenas o que dura para sempre é real.  Transitórias são as posses materiais.  Ao desencarnar, elas ficam por aqui.  E se depositarmos nisso a nossa felicidade, a consequência é que ela ficará aqui também.

Eternas são as conquistas do espírito: amor, amizade, respeito…  Todos os sentimentos nobres são para sempre.  São eles que partem conosco quando vamos embora.  São tesouros inestimáveis, inesgotáveis e perenes.  É o nosso mundo interior, nossa essência real.  Uma vez adquiridos, esses valores serão nossos por todas as vidas.

Mas os desejos não são um mal em si.  Eles são necessários à continuação da vida.  Quem não tem desejos não sonha.  Consequentemente, não luta e não progride.  Nada na natureza é estático, logo, precisamos de algo que nos estimule ao movimento e ao crescimento.

O que nos faz deturpar os desejos e cair nas teias da ilusão é a nossa ignorância espiritual. Para aprendermos o lugar e o valor certo de cada coisa, temos que investir no nosso aperfeiçoamento moral.  Autoconhecimento e autodisciplina levam à libertação da alma.  Libertando-nos, podemos desfrutar dos prazeres da matéria sem nos misturarmos ou nos deixarmos dominar por eles.  E a liberdade é a maior conquista que o ser humano pode empreender.

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