Não Abandone os Animais

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Aconteceu numa das minhas viagens. Estava eu em Roma, há alguns anos, quando me deparei com um cão perdido. Era um cachorro de raça, grande, muito esperto e ativo. Levou algum tempo até eu compreender que era um “daqueles”.

Era minha primeira viagem ao exterior.  Percorrendo as estradas da Itália, observei várias placas com os dizeres: “não abandone os animais”.  Estava escrito em italiano, e apesar de eu não saber falar essa língua, deu para compreender perfeitamente.  Ainda mais porque a frase estava ilustrada com a figura de um cachorrinho em lágrimas, carregando nas costas uma trouxinha amarrada num cabo de vassoura.

Eu já havia ouvido falar desse problema, já tinha lido a respeito no jornal.  Pessoas que compravam animais e, quando queriam sair de férias, simplesmente os abandonavam, para, no ano seguinte, comprar outro e fazer a mesma coisa, e assim, sucessivamente.   Sabia que, na Europa, esse procedimento era comum.  O que não esperava era me deparar com um desses animais bem no meio da minha viagem.

Vinha eu caminhando pela rua com uma amiga quando o cachorro apareceu.  Pelo porte, dava para perceber que não era de rua.  O bicho veio correndo, abanando o rabo, farejando todo mundo que passava.  Olhei curiosa.  Ele estava feito doido, andando a esmo, tentando seguir os transeuntes.  De vez em quando, chegava perto do meio-fio e espiava para a rua, olhar comprido, como que à procura de alguém.  E quando um carro parava, ele se aproximava correndo, tentando entrar pela porta aberta.  Foi uma agonia.

Acho que ele percebeu o quanto eu estava sensibilizada, porque se aproximou de mim, cheirando a minha mão.  Por uns momentos, acariciei sua cabeça, e lá veio ele me seguindo.  Queria muito trazê-lo para casa, tamanha a compaixão que senti.  Mas não podia. Afinal, eu moro no Rio e estava em Roma, ainda por cima, de passagem.

Foi difícil para mim fingir que ignorava aquele cachorro.  Mais do que isso, fingir que não percebia sua dor, sua frustração, seu medo.  Acho que ele não entendia o que estava se passando, pensava que seus donos, a qualquer momento, apareceriam para levá-lo.  Mas não foi o que aconteceu nem aconteceria.  Ele era um cachorro abandonado.

Eu não tinha opção.  Apressei o passo, evitando olhar para trás, para que ele parasse de me seguir.  Foi o que ele fez, talvez decepcionado com a minha atitude.  Ele não fazia ideia do quanto eu sofri com aquele gesto contrariado.  Naquele momento, senti a dor dele e não pude fazer nada.  Apenas coloquei os óculos escuros e chorei.

Isso aconteceu de verdade comigo, assim como deve ter acontecido com mais alguém. Embora seja mais comum na Europa, existem pessoas aqui no Brasil que também fazem isso, por vários motivos, seja porque o animal ficou doente, seja porque elas estão cheias de cuidar de um bichinho.

Por isso, antes de adotar ou comprar um animal, pense bem se é o que você realmente quer.  Ter um bichinho de estimação é coisa séria.  Quando tomamos um animal aos nossos cuidados, nos tornamos responsáveis por ele.  De nós depende o seu desenvolvimento físico e espiritual.  A carga de experiências que ele vai levar dessa vida depende de nós, do que lhe daremos, de tudo o que lhe ensinaremos.  Não colabore para alimentar o segmento de experiências ruins.  Seja mais um a fornecer-lhe coisas boas que contribuam para o crescimento da alma-grupo a que pertencem ou a favorecer seu retorno ao mundo no reino hominal.

Maltratar um animal é causar um enorme desequilíbrio na natureza, pois a vida não compactua com atitudes daninhas.  Não atraia para si sofrimentos desnecessários, pois a consciência do homem não o isenta de nenhum mal que pratica no mundo.

Comentários dos usuários(8):(incluir comentario)

  1. Antonia Ataide em 07 de novembro de 2011, disse:

    Esse artigo mexeu muito comigo. Eu e minha companheira temos 8 filhinhos, todos muito bem amados, são nossos resgatinhos… que covardia inominnavel é abandonar um animal.

  2. Ana Paula Oliveira de Souza em 20 de novembro de 2011, disse:

    Puxa, que triste. Uma vez eu fui levar a cadelinha da minha tia ao veterinário e vi uma cachorrinha de mais ou menos 2 meses toda encolhida. Quando cheguei perto, ela estava meio sonolenta e pude perceber que havia sido atropelada e estava toda quebrada: as duas pernas quebradas e uma delas havia fratura exposta e ela havia perdido 2 dedinhos da patinha traseira e também havia perdido um pedaço do rabinho. Fiquei chocada com aquela cena. Quando ela percebeu que eu estava perto, estendeu a patinha pra mim e deu um gemido. Na hora eu comecei a chorar e perguntei à veterinária se ela tinha dono. A veterinária disse que não e eu disse: agora ela tem e a levei pra casa, cuidei de seus ferimentos e ela graças a Deus sarou e voltou a andar e hoje está com quase 2 anos e é uma cachorra muito feliz. Na verdade, felizes somos eu e meu marido, porque a amamos muito.

  3. Mônica de Castro em 05 de dezembro de 2011, disse:

    Olá, Antonia. Que bom que vocês cuidam dos animais. Infelizmente, algumas pessoas ainda precisam aprender o verdadeiro significado do amor. Beijos.

  4. Mônica de Castro em 05 de dezembro de 2011, disse:

    Ainda bem que existem pessoas como você no mundo, Ana Paula. É o que dá conforto a esses animais. Aposto como a cachorrinha está muito feliz na sua família. Beijos.

  5. Alessandra em 24 de fevereiro de 2012, disse:

    fiquei emocionada com o texto…..lindo mesmo. tento ajudar no que é possivel. tenho dois em casa adotados se pudesse teria muitos.

  6. edinalva em 08 de junho de 2015, disse:

    oi fiquei sabemdo que voce ajuda as pessoas a cuidar dos animais

  7. ednalva em 08 de junho de 2015, disse:

    voce e muito espesial voce comcientisa as pessoas a mudar o comportamento e amar os animais

  8. Nome (necessário)ednalva em 08 de junho de 2015, disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkk

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