Apesar de Tudo…

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Um filho é excelente estímulo às mudanças.

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“Vivemos em um mundo onde as convenções e as regras ditam preconceitos injustificáveis e cruéis.  As ilusões sociais nos levam, muitas vezes, por caminhos de uma falsa superioridade, que nos torna cegos diante das verdades da vida.  Somos todos iguais, e isso importa na liberdade que temos de ser diferentes, pelos padrões ditados por uma sociedade de aparências.

Somente quando conseguirmos nos desapegar de todas as ilusões criadas pela arrogância e o orgulho humanos é que seremos, realmente, livres.”

- Mônica de Castro

Editora Vida & Consciência

Ano de lançamento: 2013

Páginas: 493

Formato: brochura

CURIOSIDADES:

Ano em que escrito: 2009

Ordem em que escrito: 17º

Ordem em que editado: 17º

Título original: O Evangélico

Leia um trecho do livro:

“Margarete saiu sem se despedir, caminhando pela rua escura.  O céu ameaçava chuva, e das grossas.  Em outro pouto mais adiante, tomou um ônibus qualquer.  Precisava desesperadamente de um trago.  Sentada no banco de trás, pensou em saltar novamente, mas o motorista acionou o veículo, e ela engoliu o vício, sentindo aquele ódio surto martelando em seu peito.  Com o sacolejo do ônibus, o bebê se agitou um pouco, vomitando no colo de Margarete, que praguejou e o levantou bruscamente.  Ele desatou a chorar, causando-lhe imensa fúria.

–     Cale a boca, desgraçado – disse entre dentes, enquanto o sacudia, aumentando seus soluços.

–     Não devia tratar assim o seu bebê – ela ouviu uma voz dizer e constatou que era uma mulher sentada no banco lateral. – É maldade.

Margarete sentiu vontade de mandar a mulher não se meter na sua vida, mas havia outros passageiros observando-a com ar de reprovação.  Só por isso, acomodou de novo o filho e procurou se acalmar, embora o ódio persistisse.

–     Como se não bastasse tanta desgraça, ainda tenho que aguentar a recriminação do povo por sua causa – pensou com raiva.

–     Gente assim não devia ter filho – falou baixinho um homem à sua frente, causando-lhe ainda mais irritação.

–     É mesmo – concordou a moça ao lado dele. – Não sei para que colocar filho no mundo.

–     Essas mulheres são assim mesmo.  Tratam filho que nem bicho.

Embora falassem baixo, Margarete ouviu tudo o que disseram.  O ódio que sentiu foi tão intenso que ela, sem querer, apertou as mãos ao redor do pescocinho do filho.  O menino se contorceu, soltou um gemido gutural, e só então ela percebeu que o estava estrangulando.

–     Meu Deus! – disse para si. – O que estou fazendo?

Assustada consigo mesma, Margarete levantou-se abruptamente e deu o sinal para saltar.  Pagou a passagem, desceu numa rua movimentada, em um bairro desconhecido.  Caminhando a esmo, alcançou uma praça iluminada, onde, ao centro, um lago artificial ostentava imenso e lindo chafariz.  Durante um tempo ficou observando a beleza da praça e do chafariz, sem fazer a menor ideia de onde estava.

Caminhou aleatoriamente, atenta aos luminosos que piscavam por todo lado, maldizendo-se por não saber ler.  Identificou, porém, o símbolo do Metrô, que Anderson lhe mostrara algumas vezes nas revistas. Passou por uma lanchonete que lhe pareceu atraente, mas não ousou entrar, com medo de ser expulsa.  Virou na primeira rua que avistou, caminhando à procura de um bar.  Carregando o bebê feito uma trouxa, entrou no botequim e pediu uma dose de pinga, que o atendente serviu a contragosto.  Quando terminou, pediu outra, depois mais outra, e foi assim até acabar o pouco dinheiro que Bernadete lhe dera.

Completamente alterada pela bebida, saiu trôpega, carregando o pequeno fardo que, segundo pensava, era a causa de todo o seu infortúnio.   Um cheiro desagradável lhe dizia que o menino sujara a única fralda que possuía, presente de uma enfermeira caridosa, que agora estava imprestável.  Com raiva, arrancou a fralda do bebê e atirou-a para longe.

–     Cretino! – esbravejou, irritada com o choro desesperado da criança. – Tenho que me livrar de você!

Enrolou o bebê no cobertor puído e cheirando a vômito, sentindo o estômago embrulhar com a mistura de odores fétidos.  Um raio riscou o céu, e ela apressou a caminhada, procurando um lugar para deixar o filho.  Não se atreveu a colocá-lo em nenhuma porta ou portão, com medo de ser surpreendida por algum transeunte ou, pior, pela polícia.

Foi então que passou ao lado de um latão de lixo velho, todo enferrujado.  Sem tampa, cheio quase até a borda, fora colocado em frente a um muro de pedra muito alto, que protegia uma casa em ruínas.  A ideia surgiu, imediata, parecendo-lhe brilhante.  E se colocasse o bebê ali dentro?  Cautelosamente, experimentou o portão, mas ele estava trancado com um cadeado grosso.

Voltando-se para a lata de lixo, ficou observando.  Com a ameaça de chuva, a rua estava praticamente vazia.  Não havia ninguém por perto.  Apenas o latão a lhe acenar de forma tentadora.

Margarete apertou o casaco roto ao redor do corpo para se proteger do frio.  O filho, envolto nos farrapos, finalmente se aquietara e adormecera.  Tudo estava sossegado, a criança e a rua.  Nada parecia se mover ou ter vida.

Era agora ou nunca.  Se esperasse um pouco mais, a coragem se desvaneceria.  Ela continuaria na mesma, com aquele pequeno fardo a roubar-lhe a juventude e a vida.  Olhou ao redor mais uma vez e, como não avistou ninguém, deu um passo resoluta.  Com um único gesto, deitou sobre os detritos o cobertor esfarrapado e malcheiroso que abrigava o corpinho miúdo do filho.  Virou as costas ao latão e saiu a passos apressados, sem olhar para trás, certa de que aquela seria a última vez que poria os olhos naquela criança.”

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Comentários dos usuários(9):(incluir comentario)

  1. Gabriela Leoni Petters em 03 de setembro de 2013, disse:

    Que lindo amiga, me emocionei aqui agora… fui mãe solteira, casei tive mais uma filha e o terceiro filho é gay…. mas jamais abandonaria meus filhos…
    Tomara que me sobre um dindinzinho para comprá-lo já que não dou sorte nos sorteio…

  2. Sandra em 03 de setembro de 2013, disse:

    Cramba quero o livro….como faço para participar dos sorteios.Como me inscrever?
    Já gostei pelo inicio da história…Parabéns Mônica de Castro…
    A propósito gostei muito do livro Jurema das matas…

  3. Sandra em 03 de setembro de 2013, disse:

    *quis dizer caramba…kkk

  4. Margarete de Mello em 04 de setembro de 2013, disse:

    Me emocionei com o que li,gostaria de saber se já está nas livrarias?

  5. Juliana Soeiro em 05 de setembro de 2013, disse:

    Monica como sempre você está de parabéns,que DEUS e os espíritos de luz continuem te iluminando a cada dia mais, e fazendo sua vida mais feliz para que você possa está iluminando cada vez mais as vidas das pessoas, te admiro muito e sou sua fã, com certeza vou atrás desse mais novo livro que com certeza irá ajudar a muitas pessoas…bjs Ju

  6. Aline Eleuterio em 04 de outubro de 2013, disse:

    Olá Mônica. Tudo bem? Ganhei esse livro do meu namorado e praticamente o devorei. Simplesmente AMEEEEEEEEI! Muito bom mesmo, um dos melhores que já li. =)
    Bom, aproveitando o ensejo, gostaria de parabenizá-la. Através das inspirações enviadas por Leonel, suas (e dele também) obras são ótimas. Acredito que vocês estejam conseguindo alcançar o desejo de Leonel de fazer as pessoas procurarem a própria felicidade em si mesma. Mais uma vez parabéns!

  7. Mara Meire em 04 de novembro de 2013, disse:

    Sou sua fã de carteirinha…Amo seus livros …Li vários já e agora não vejo a hora de ler esse tbm que promete ser maravilhoso…Que Deus lhe guarde c/ todo carinho…Bjos no coração

  8. Ivonilde gomes em 08 de janeiro de 2014, disse:

    Adorei esse começo com certeza vou lê o restante.Você é maravilhosa gosto muito dos seus livros.

  9. Cloves Guedes em 08 de maio de 2014, disse:

    Olá, Mônica!!! Quero dizer que tenho o seu livro APESAR DE TUDO… e que ele é maravilhoso!!! Como sempre você se superou e quero dizer-lhes que amo todos os seus livros. Continue assim.

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