Até Que a Vida Os Separe

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Quando alguma coisa se vai, é porque não precisamos mais dela, e uma outra melhor irá aparecer.

“As trocas de energias falam mais do que as palavras no trato entre as pessoas, criando os laços de simpatia ou rejeição.  Interferem também nesse processo nossas afinidades, os valores psicológicos e culturais, os preconceitos, os interesses.

No dia-a-dia, você seleciona as amizades e pode controlar bem as diferenças, mas o que dizer das relações familiares, quando a Vida coloca em seu caminho pessoas com as quais vai ter de relacionar-se por toda a vida?

O que fazer quando você ama um filho e rejeita outro, mergulhando na culpa sem encontrar explicações para seus sentimentos?

A causa vai além da simples troca de energias do cotidiano e está oculta em problemas mal resolvidos de outras vidas que voltam em busca de solução.

Por mais que tente, não conseguirá afastar essa pessoa de seu convívio.  Ela estará por perto até a solução.  Ou, se preferir: até que a vida os separe.” - Zíbia Gasparetto


Editora Vida & Consciência

Ano de lançamento: 2003

Páginas: 371

Formato: brochura


CURIOSIDADES:

Ano em que escrito: 2002

Ordem em que escrito:

Ordem em que editado:

Título original: Fabrício ou Adriano


Leia um trecho do livro:

“O trem já estava chegando, e centenas de pessoas se preparavam para embarcar.  Flávia levantou-se do banco em que estava sentada, apanhou a frasqueira e segurou o braço do marido.  Estavam esperando que o comboio parasse para subirem a bordo quando ouviram novo alarido.  Olharam assustados e viram uma mulher correndo em sua direção, trazendo nos braços o que parecia ser uma trouxinha de roupa.  Atrás dela, ouviam-se os apitos dos guardas, dela separados pela multidão de pessoas que se apinhavam na estação.

Eles estavam um pouco afastados da multidão, mais próximos dos últimos vagões.  Ao vê-los, a mulher correu para eles e começou a falar alguma coisa em alemão, estendendo para Flávia a pequena trouxa de panos.

Paulo, sem entender o que aquela mulher queria e com medo de que ela pudesse causar-lhes algum tipo de encrenca, empurrou-a com violência, mas ela se voltou para Flávia com os olhos cheios de lágrimas, falando apressadamente e estendendo-lhe novamente a trouxinha.   A mulher parecia fora de si.  Chorava e falava com profunda angústia, como que a implorar alguma coisa.  Seu desespero era nítido, e Flávia podia entender a súplica em seu tom de voz.

Flávia estava confusa e aturdida. Não entendia uma palavra do que ela dizia, mas ela estava visivelmente desesperada, apavorada com alguma coisa.  Paulo já ia empurrá-la de novo quando ouviram um choro abafado.  Instintivamente, Flávia segurou o braço do marido e afastou os panos, descobrindo a face de um recém-nascido, rosado e de olhos azuis feito duas contas.

Aquilo a assustou sobremaneira, e seu primeiro gesto foi de estender os braços para recolher a criança.  Sem entender o que a mulher lhe dizia, compreendera tudo.  Ela era judia e estava fugindo dos guardas, com o filho no colo, e queria dá-lo a ela.  Dar-lhe o filho para salvá-lo da morte.  Rapidamente, Flávia apanhou a criança e estreitou-a contra o peito, mas ouviu a voz de Paulo, que falava com um misto de rispidez e desespero:

–  Ficou louca?  Quer que sejamos mandados a um campo de concentração ou coisa parecida?

Com uma certa brutalidade, tentou arrancar a criança dos braços de Flávia, mas a mulher, completamente desesperada, lançou para ela um olhar de súplica tão profunda, que ela apertou ainda mais o bebê, e Paulo, com medo de machucá-lo, afrouxou as mãos e olhou por cima de seu ombro.  Do outro lado da plataforma, os apitos se faziam ouvir mais estridentes, e logo os guardas apareceram, correndo feito loucos por entre a multidão.  Ele encarou a mulher e soltou a criança, voltando os olhos para Flávia, que chorava de mansinho.  A mulher falou alguma coisa bem baixinho, e Flávia deduziu o agradecimento.  Podia perceber o alívio e a gratidão em seu olhar.

Os policiais, nesse instante, a avistaram e correram em sua direção.  Paulo acompanhou todos os seus movimentos, com medo de que o interpelassem, mas eles passaram direto por eles e nem os notaram.  Flávia nem tinha coragem de levantar os olhos.  Apertava o bebê de encontro ao peito, cobrindo-o com o casaco e rogando a Deus que não chorasse.  A criança, talvez sentindo a proteção que os seios de Flávia lhe transmitiam, silenciou e voltou a dormir, e ninguém a notou sob o casaco de Flávia.

Pouco depois, seguraram a mulher pelo braço, um de cada lado, e saíram arrastando-a pela estação.  Ao passar por eles novamente, a mulher não disse nada nem os encarou, mas Flávia pôde perceber o alívio que sentia ao ver salvo o filhinho recém-nascido.”

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Comentários dos usuários(4):(incluir comentario)

  1. Nome (necessário)Fabio Ferreira em 20 de outubro de 2011, disse:

    Uma grande lição de vida , gostei muito de ler esse livro , tipo comecei ler e terminei em 5 dias , muito bom mesmo .

    Abraços

    Fábio

  2. Nome (necessário)Wiltencleide em 14 de janeiro de 2012, disse:

    Esse livro me chamou a atenção pela sinopse, pois tenho uma história de vida paracida, a historia é linda e mto emocionante, através dela pude entender um pouco mais essa ligação tão forte que tenho com o meu pai,acho que somos espiritos simpaticos de outras vidas.

  3. karol em 03 de julho de 2012, disse:

    eu amei esse livro e acabei ler ele todo em apenas 3 dias adoro ler amo seus livros monica.

  4. renan em 09 de outubro de 2012, disse:

    li em um dia.muuuuuuuuuuuito bom,fiquei com a história na cabeça de um jeito q não quer mais sair.

    :D

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