Jurema das Matas

jan29

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A visão estreita do mundo ainda faz com que os olhos do homem permaneçam fechados, mesmo quando a luz da verdade desponta diante dele, quase a ofuscar-lhe a mente nebulosa.

15 - Jurema das Matas

“Pouco se sabe a respeito das entidades que se dispõem a trabalhar nos círculos espirituais da Umbanda.  Muitas histórias são ouvidas, algumas envoltas em mistérios e superstição.  O preconceito e a ignorância ainda pairam sobre esses seres, em sua maioria abnegados instrutores dotados de inteligência extrema e imensurável amor pela humanidade.

Jurema das Matas é assim.  Com inigualável simplicidade e franqueza, desvenda quatro de suas encarnações, na tentativa de mostrar como o ser humano se ilude com falsos valores de conquista e poder.  Da trajetória sangrenta e sofrida, surge uma criatura dócil e infinitamente sábia, disposta a compensar seus desequilíbrios com o auxílio desinteressado aos irmãos de caminhada que formam a família humana.

É uma lição para todos nós, acostumados a eleger favoritos em função da vestimenta sutil com que se apresentam no mundo da matéria.  A escolha do espírito que anima esta história foi a da humildade para, através do exemplo, reafirmar em nós a crença de que somos e seremos sempre iguais.”

Mônica de Castro


Pouco se sabe a respeito das entidades que se dispõem a trabalhar nos círculos espirituais da Umbanda.  Muitas histórias são ouvidas, algumas envoltas em mistérios e superstição.  O preconceito e a ignorância ainda pairam sobre esses seres, em sua maioria abnegados instrutores dotados de inteligência extrema e imensurável amor pela humanidade.
Jurema das Matas é assim.  Com inigualável simplicidade e franqueza, desvenda quatro de suas encarnações, na tentativa de mostrar como o ser humano se ilude com falsos valores de conquista e poder.  Da trajetória sangrenta e sofrida, surge uma criatura dócil e infinitamente sábia, disposta a compensar seus desequilíbrios com o auxílio desinteressado aos irmãos de caminhada que formam a família humana.
É uma lição para todos nós, acostumados a eleger favoritos em função da vestimenta sutil com que se apresentam no mundo da matéria.  A escolha do espírito que anima esta história foi a da humildade para, através do exemplo, reafirmar em nós a crença de que somos e seremos sempre iguais.
Editora Vida & Consciência

Ano de lançamento: 2012

Páginas: 364

Formato: brochura

CURIOSIDADES:

Ano em que escrito: 2008

Ordem em que escrito: 16º

Ordem de edição: 15º

Título original: Jurema



Leia um trecho do livro:

“Sem nada dizer, Soriano saiu atrás de Alejandro, seguido por mais alguns marujos.  Caminharam o mais silenciosamente possível, atentos a qualquer movimento na selva.  Finalmente, encontraram um poço de água potável e puseram-se a encher as vasilhas, em estado de alerta constante, como se esperassem que, de uma hora para outra, uma horda de índios se atirasse sobre eles.

–     Estamos muito próximos do povoado deles – comentou Soriano, indicando com o queixo as enormes construções.

–     Não se preocupe – tranquilizou Alejandro. – Eles não sabem que estamos aqui e, além do mais, temos as nossas armas.

–     Eu não teria tanta certeza.

Havia tremor na voz de Soriano, e Alejandro acompanhou o seu olhar assustado.  Parados alguns metros adiante, alguns indígenas os fitavam imóveis.  Instintivamente, Alejandro apertou o cabo de seu mosquete.  Como da outra vez, os nativos se aproximaram, risonhos e amistosos, puxando os espanhóis pelas mangas das túnicas, rodeando-os como se farejassem a presa antes de devorá-la.  Apesar da linguagem incompreensível, os dedos, apontando na direção da cidade, deixavam claro o desejo de que os seguissem até lá.  Alejandro, desconfiado, olhou para Francisco, mas este já se havia posto em marcha ao lado dos índios, com o restante dos homens atrás deles.

–     O que ele está fazendo? – sussurrou Soriano, apavorado. – Já não basta o que nos aconteceu da outra vez?

–     Fique quieto! – censurou Alejandro. – Francisco sabe o que faz.

A cena parecia se repetir.  Os espanhóis caminharam pela floresta com os índios ao redor, gesticulando e rindo guturalmente.  Ao adentrarem o povoado, os sólidos e já conhecidos edifícios se descortinaram, seguidos de mais e mais ídolos diabólicos.

–     Isso me dá calafrios – observou Soriano, acercando-se mais de Alejandro.

–     Você ainda não viu nada – retrucou o outro, estacando com ar aterrado.

Surgiu à sua frente uma figura singular.  Vestido numa espécie de túnica branca, um homem de cabelos negros e respingando sangue segurava nas mãos um facão igualmente ensanguentado.  Atrás dele, sobre um altar de pedra parcialmente visível, jazia inerte, numa poça de sangue, um corpo retalhado e sangrento.

–     Jesus Cristo! – exclamaram muitos.

–     Mas o que é isso? – horrorizou-se Soriano.

–     Parece que o nosso amigo acabou de praticar um sacrifício humano – constatou Alejandro, lutando entre o terror e o pânico.

–     Ele está todo ensanguentado!

Todos olhavam para Francisco, esperando que ele tomasse alguma atitude, mas o capitão parecia tentar entender-se com o macabro sacerdote.

–     Acho que não está adiantando – constatou Alejandro.

O sacerdote falava estranhas palavras e gesticulava para os muitos guerreiros que acompanhavam o encontro. Mais que depressa, os índios se juntaram, apontando as lanças e fitando o grupo com olhar hostil e ameaçador.  Alguém acendeu uma fogueira, e o sacerdote deu prosseguimento ao seu bailado gutural, apontando ora para fogo, ora para os espanhóis, ora para os guerreiros, que emitiram um grito de guerra assombroso.

–     O que é isso agora? – horrorizou-se Soriano.

–     Acho que ele quer dizer que, se não partirmos até o fogo se extinguir, vai lançar seus guerreiros sobre nós.

–     E o que Francisco está fazendo? – desesperou-se. – Por que não vamos logo embora?

–     Será que ele enlouqueceu e vai combater esses demônios?

Dessa vez, até Alejandro estava com medo.  Enfrentar aqueles guerreiros seria quase suicídio.  Os homens começaram a se apavorar, ameaçando dar meia-volta e fugir, mas Francisco permanecia parado, na esperança de fazer-se entender.

–     Vamos embora, capitão – falou um dos homens mais próximos. – Por Deus, não podemos mais continuar aqui.  Se tem amor a nossas vidas, vamos voltar aos navios!

Ainda defronte ao sacerdote, Francisco ensaiou mais alguns gestos, tentando um entendimento, mas o olhar feroz do outro o convenceu a partir.

–     Vamos recuar – ordenou ele, com a voz mais calma que conseguiu entoar.

Sem se virar, os homens foram recuando e, passo a passo, tomaram o caminho de volta.  Só quando já se encontravam fora das vistas dos guerreiros foi que se viraram de frente e puseram-se a andar, quase a correr.”

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Comentários dos usuários(10):(incluir comentario)

  1. Viviane Milhmem em 30 de janeiro de 2012, disse:

    Cada vez que leio um livro espírita sei que tenho a chance de melhorar como pessoa, e isso me faz muito bem. Aruanda (que fala sobre elementais, pretos-velhos, caboclos…); Tambores de Angola (que também fala sobre Umbanda), ambos escritos por Robson Pinheiro, me levaram a ver esse universo de uma forma bem diferente do que via antes de lê-los. Não há mais espaço no meu coração para preconceitos quanto a essa temática. E agora você, com seu novo livro, me dá a oportunidade de continuar melhorando como pessoa, conhecendo mais sobre esse assunto que me encantou desde a primeira vez que comecei a entender esse universo. Obrigada por mais esse presente.

  2. Patricia P.L em 24 de fevereiro de 2012, disse:

    Gostei muito da linguagem utilizada neste livro. Na ultima pagina,chorei emocionada,quando identificaram a guia da falange da Cabocla Jurema.Acredito que se for permitido, esta historia merece uma continuacao. obrigada .

  3. Nome Andréa Vieira em 15 de março de 2012, disse:

    Monica, sou medium umbandista e trabalho com a Guia Jurema da mata, quando vi seu livro, fiquei louca para ler.

  4. José María López em 23 de maio de 2012, disse:

    AMADA HERMANA MONICA. SOY UN LECTOR ESPAÑOL DE SUS LIBROS, LO CUALES LEO EN PORTUGUES Y, LOS ESTOY TRADUCIENDO AL ESPAÑOL PARA QUE MI MUJER Y MIS AMIGOS LOS LEAN.
    QUERÍA SABER SI USTED ESTA INTERESADA EN QUE SE LOS PASE PARA QUE ASÍ PUEDA AMPLIAR ESTAS MARAVILLOSAS ENSEÑANZAS TANTO A ESPAÑA COMO A ISPANOAMERICA. ESTO LO HAGO SÓLO POR AMOR A MIS HERMANOS, SIN NIGUN INTERES PERSONAL.
    HASA AHORA, HE TRADUCIDO GRETA Y AHORA ESTOY TRADUCIENDO SECRETOS DEL ALMA.
    ESPERO SU RESPUESTA CON MUCHO CARIÑO.
    PERDONE QUE NO ESCRIBA EN PORTUGUES YA QUE NO SE ESCRIBIRLO, SIN EMBARGO LO ENTIENDO Y DE AHÍ QUE LO TRADUZCA CON FACILIDAD.
    SIN MÁS.
    RECIBA UN ABRAZO FRATERNO Y MIS DESEOS DE QUE JESÚS ILUMINE SUS PASOS SIEMPRE.
    CAM AMOR. JOSÉ MARÍA LÓPEZ PLA.

  5. José María López em 22 de junho de 2012, disse:

    AMADA HERMANA MÔNICA, LE ENVIE DOS EMAILS CON DOS CAPITULOS DE GRETA YA TRADUCIDOS PARA QUE LOS VIERSE Y ME DIGESE QUÉ LE PARECIAN.
    SUPONGO QUE NO LE HABRÁN LLEGADO, SI ES ASÍ, ME LO DICE Y SE LOS REENVIO.
    RECIBA UN FUERTE ABRAZO DE ESTE SU HERMANO DE CORAZÓN.
    JOSE MARÍA LÓPEZ PLA.

  6. Fabio em 25 de junho de 2012, disse:

    Acabei de ler esse livro, eachei simplismente maravilhoso.
    A Jurema sofre tanto,sempre pronta com todas situações. Em todas encarnações que passou serviu para inovar e amadurecer seu espirito. Linda história, apesar do sofrimento, mais faz parte nada nessa vida é feito sem o consentimento de cada um e principalmente o de Deus. Parabéns Mônica, Leonel e a cabocla Jurema.

  7. Fabio em 25 de junho de 2012, disse:

    Acabei de ler esse livro, eachei simplismente maravilhoso.
    A Jurema sofre tanto,sempre pronta com todas situações. Em todas encarnações que passou serviu para inovar e amadurecer seu espirito. Linda história, apesar do sofrimento, mais faz parte nada nessa vida é feito sem o consentimento de cada um e principalmente o de Deus. Parabéns Mônica, Leonel e a cabocla !!!Jurema.

  8. Renata Janulik de Castr Gasparini em 03 de fevereiro de 2014, disse:

    Este livro é magnifico, nos mostra que as dificuldades não são as piores coisas, que por vezes é a solução. “Não um acerto de contas mas de sentimentos”. As vezes passamos por obstáculos na vida, e nos julgamos incapazes de passar por eles, mas esquecemos de que Deus é bondoso e não nos da um fardo alem daquele que conseguimos carregar, e esquecemos de que esta vida, foi proposta por nos mesmos, em uma tentativa de evolução. É um livro excelente, e muito inspirador. Cabocla Jurema é uma inspiração para muitas pessoas, inclusive para mim.

  9. Sharlan em 07 de março de 2014, disse:

    Sou umbandista, e procuro constantemente artigos para aprimorar o conhecimento na minha religião. Diariamente agradeço a Deus por ter nascido nessa religião, admiro-a diariamente, porém, compreendo toda a sua dificuldade e preconceito, internos e externo, ou seja, do nossos irmãos e de outras religiões.
    O livro Jurema das Matas trouxe mais alegria ao meu coração, a história psicografada e narrada é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A. Nunca havia lido algo tão presencial como este livro. Ao ler os fatos narradas, tinha a impressão que a historia estava na minha frente. Tão forte e presente é o espírito de Alejandro.
    Parabéns.

  10. Thays Oliveira em 18 de julho de 2014, disse:

    Havia momentos em que a concentração era tanta que parecia como se eu estivesse na historia. RECOMENDEI a todos meus irmãos de fé.

    Parabéns!
    SIMPLESMENTE INCRÍVEL!!

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