Como Tudo Começou

jun29

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Meu primeiro contato com a psicografia foi uma coisa estranha. Eu sempre sonhei escrever um livro, embora não me julgasse capaz. Então, um dia, abri um romance, cuja personagem principal se chamava Rosalía. Na minha cabeça, um nome parecido não parava de ecoar: Rosali (que veio a ser o nome da personagem do meu primeiro livro).

Fui acometida de uma vontade louca de escrever, mas resisti.  A vontade foi aumentando, aumentando, e eu não me atrevia, talvez em função da desvalorização com que tratamos as nossas habilidades.  Ficava repetindo para mim:  “Quem sou eu para escrever um livro?  Ninguém vai ler, não vai dar em nada, vai ficar uma porcaria…”  Por outro lado, uma voz interior me dizia que não custava tentar.  O máximo que poderia acontecer era não dar em nada.

Sentei-me ao computador e iniciei.  Para minha surpresa, a história fluiu com a maior naturalidade.  Como eu estava acostumada a escrever sobre qualquer coisa, nem me passou pela cabeça que estivesse psicografando.  Escrevi o livro inteiro assim.  Ia escrevendo os capítulos e mostrando à minha mãe e aos amigos, que me deram a maior força.

Terminado o romance, Leonel se apresentou.  Mandou-me uma psicografia, falando um pouco sobre si mesmo.  Fiquei maravilhada!  Nunca havia ouvido falar nele, mas senti como se fôssemos velhos amigos.  Abracei a tarefa com entusiasmo, dando o melhor de mim.   Aos poucos, fui descobrindo como era gratificante conciliar dois talentos: o de escritora e o de médium.

Pronto o livro, veio a pergunta: o que fazer?  Um amigo me aconselhou a enviar para a Vida & Consciência, mas eu achei que era demais para mim.  Achava que a Zíbia Gasparetto nunca leria nada que eu escrevesse.  Resolvi então mandar para outra editora.  Em algum tempo, obtive resposta.  Gostaram do livro, mas eu teria que reduzi-lo a um quarto do tamanho e retirar uma passagem que falava sobre homossexualidade.  Diziam, inclusive, que havia preconceito da autora (?).  Pode parecer inusitado, mas é verdade.

Recusei-me a mutilar minha obra e enchi-me de coragem.  Enviei para a Vida & Consciência.  Quase não acreditei quando me disseram que o livro ia ser publicado.  Viajei a São Paulo, me emocionei muitíssimo quando conheci a Zíbia.  Fechado o contrato, veio UMA HISTÓRIA DE ONTEM, sem qualquer mutilação, em seu tamanho original.

A título de curiosidade, quem descobriu o meu livro foi o Marcelo Cezar.  Conta ele que, ao avaliar originais enviados à editora, sentiu a presença de um espírito insistindo para que ele pegasse o meu.   Era o Leonel, óbvio.  Marcelo leu, gostou e tudo aconteceu.  E eu nem sabia desse detalhe

No ano seguinte, com o lançamento de SENTINDO NA PRÓPRIA PELE, eu estava lendo um livro dele, Só Deus sabe, quando ele me ligou.  Coincidência?  Acho que uma ajudinha do destino, porque ele hoje é um dos meus melhores amigos.  Conversamos, nos demos super bem sem nem nos conhecermos.  Então, ele veio ao Rio para o lançamento do livro.  Era como se nos conhecêssemos desde sempre.   Hoje posso dizer que esse encontro foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida.

E, sem exageros, digo também que o Leonel é parte fundamental na minha trajetória.  Somos como um, atuamos em perfeita sintonia, verdadeira simbiose que, por vezes, me impede de separar o que é meu e o que é dele, fato que antes me incomodava.

Questionada sobre como sabia o que era meu e o que era dele, ficava confusa e insegura.  Tinha medo de estar me enganando, de achar que psicografava, mas que, na verdade, escrevia tudo sozinha.  E aí, como é que ficava?  Estaria eu, mesmo inconscientemente, enganando as pessoas?   Hoje, contudo, esse questionamento não me incomoda mais.  A conselho do próprio Leonel, deixei de pensar nisso.  Disse-me ele para só me importar com o resultado.  Se as mensagens do livro são boas para as pessoas, se as ajudam a viver melhor, é o que importa.  Quem escreveu é mero detalhe.

Na verdade, Leonel traz todas as histórias.  Pela linguagem do pensamento, que não precisa de palavras, me transmite, em linhas gerais, o que vai acontecer.  Às vezes, vejo imagens, cenas que vou descrevendo.  Junto tudo, construo as frases e submeto a ele.  Se ficar do jeito que ele quer, ótimo, podemos editar.  Se não, tenho que fazer de novo.  E faço, com a maior boa vontade e confiança.

Não escrevo para viver.  Escrevo porque gosto, porque acredito levar algum bem para as pessoas.  Ajudando-as a se melhorar, a ser mais felizes, vou aumentando minha felicidade também.   É pelas nossas conquistas que a vida vale a pena, e só se pode chamar de conquista as coisas boas que aprendemos.

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  1. Sobre a Psicografia

Comentários dos usuários(3):(incluir comentario)

  1. Nome (necessário)ROSALI em 14 de janeiro de 2012, disse:

    Bom conhecer seu site.
    …e que surpresa…seu primeiro livro ROSALI

  2. Maria da Paz Medeiros em 15 de junho de 2012, disse:

    Parabéns pelo lindo livro: “De todo o meu ser”, nossa! como parece com a história de vida de pessoa muito íntima minha.
    Um forte abraço!
    Da Paz

  3. Silvia em 06 de fevereiro de 2017, disse:

    Olá,Mônica.Gostei do seu relato. Estou iniciando nos grupos mediunicos, começou com sonhos com os espíritos que serão trazidos pra sessão, daí vinha a manifestação maior nos meus sentidos (dor,fraqueza, choro, raiva) e eu colocava pra fora. Pouquíssima fala. Agora, sinto vontade de desenhar. Desenhei um dos meus obsessores que se manifestou noutro médium, desenhei a mim numa outra encarnação e por último um religioso que manifestei toda sua raiva ao cristianismo. Me sinto confusa.

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