Minha Relação com os Animais

jan14

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Não faço nenhum segredo do quanto gosto de animais. Durante a minha vida, tive muitos: gatos, cachorros e peixes. Ter animais é tudo de bom, e aproveito para falar um pouquinho de alguns desses companheirinhos que cruzaram o meu caminho.

Suzy e Toby - 1

Acho que muitos já sabem o quanto gosto de animais.  De todos eles.  De uns, gosto mais do que de outros, mas admiro a pureza que eles possuem.  Os animais não mentem, não matam por esporte, prazer ou maldade, não fingem ser o que não são para obter vantagens.

São espertos, sim, mas a esperteza de alguns vem do instinto de sobrevivência, da necessidade de afeto, da luta por atenção.  Alguns deles são muito parecidos conosco. Sentem ciúmes, raiva, fazem pirraça, malcriação, são possessivos e até rabugentos.  Mas têm algo que é comum a todos os que convivem conosco.  Possuem afeto.

Não sou aquele tipo de pessoa que prioriza os animais em detrimento do ser humano. Acho que há lugar para todos no mundo, e o sol brilha igualmente para minerais, plantas, animais e os homens. E se gosto de fazer bem aos animais, o que dizer das pessoas?

Os animais são muito especiais.  Quando adotamos um animal, ele passa a ser responsabilidade nossa.  É uma troca estimulante e imensamente compensadora. Cães e gatos, principalmente, são grandes companheiros.  Não tenho preferência por pássaros, tenho pena de vê-los engaiolados.  Prefiro vê-los nas árvores, livres, usando as asas para realizar aquilo para que foram feitas: voar.  Adoro peixes, mas desisti de tê-los porque dá muito trabalho cuidar de aquário, e eu já não tenho mais a disponibilidade ou a paciência que tinha antes.

Desde criança, tive contato com os bichinhos.  Na minha infância, morava numa casa grande na Tijuca, com um quintal imenso (tinha até goiabeira, coqueiro e abacateiro).  Aí começaram os gatos.  Chegamos a ter onze no total, além dos cachorros da minha avó.  Na hora da comida, era uma farra.  Minha mãe colocava duas bacias de carne com arroz (naquela época não tinha ração), e eles as rodeavam para comer.  Era muito engraçado.

Eu, que vivi solta e livre, de pé no chão e brincando na rua, adorava me enroscar com os gatos.  Pegava o manda-chuva da gataria  e subia com ele na goiabeira.  Chamava-se Bilo, um gato grande, robusto, malhado.  Permanecíamos lá um tempão, até ele ficar de saco cheio e me dar umas boas unhadas nas mãos para que eu o largasse.  Eu nem ligava. Soltava o bichano e ia brincar de outra coisa.

Mais tarde, foi a vez da cadela pastor alemão.  Samanta era muito linda, meiga, amiga, companheira.  Foi uma pena quando morreu.  Ela teve um problema (não me lembro qual) e precisou passar por uma cirurgia.  Em casa, teve uma complicação à noite, e não conseguimos um veterinário de plantão para levá-la.  Minha mãe e eu passamos a noite acordadas com ela, e quando chegou de manhã, meu irmão já estava tirando o carro quando ela simplesmente deu um suspiro e morreu.  Foi muito triste…  Ela deixou saudade.

Nesse meio, vieram mais alguns gatinhos, mas não marcaram tanto.

Já adulta, achei que era melhor, então, ter um aquário.  Era lindo, cheio de peixinhos coloridos. Eu amava ficar olhando-os nadar, tinha um efeito calmante estupendo.  Um dia, veio a praga.  Um fungo, bactéria, sei lá, tomou conta do aquário.  Mesmo colocando remédio, morreram quase todos os meus peixes.  Anos depois, comprei outros, agora para o meu filho.  Mas o trabalho era muito, e eu devolvi todos os peixes para a loja.  Mãe é bicho bobo mesmo.  Sempre acredita quando o filho diz que vai cuidar do bichinho e acaba ficando com o trabalho todo pra ela.

Um dia, ganhei um cachorro, um coker-spaniel chamado Yuri.  Ele vivia agarrado comigo, dormia na minha cama, com a cabeça sobre a minha barriga.  Quando meu filho nasceu, foi um problema.  Lá foi o Yuri para a casa da minha mãe.  Ele acabou me trocando por ela, nunca mais voltou para a minha casa.  Morreu alguns anos depois, com a doença do carrapato.  Também foi terrível.  Fizemos de tudo, até hemodiálise e transfusão de sangue.  Não adiantou.  Doencinha danada, essa.

Meu xodó mesmo foi a Luíza, uma gatinha preta, felpuda, malcriada e muito brava.  Não gostava de ninguém, arranhava todo mundo, menos a mim.  À noite, costumava sair do apartamento e subir para o telhado do prédio, onde ficava até quase de manhã.  Era caçadora, muito ágil, apesar de castrada.  O problema é que tinha bronquite.  Morreu aos seis anos, com uma crise tão violenta, que nem deu tempo de socorrer.  Como eu chorei!

Agora, tenho uma duplinha em casa.  Primeiro veio o Toby, um cão da raça shitsu que é uma graça.  Quando ele chegou (caí mais uma vez na conversa do meu filho e comprei o cachorro), a Luíza ainda era viva e logo tratou de mostrar a ele quem é que mandava no pedaço.  Era só ele bobear, que lá vinha ela com uma patada no focinho dele, coitado. Resultado: o cachorro tem trauma de gato até hoje.

Tentei depois uma outra gatinha, Sagrado da Birmânia, mas não deu.  Como todo gato, ela logo percebeu que o Toby tinha medo dela e aproveitou para se impor.  Ela era pequenininha, tinha só dois meses, mas dava cada bote nele…!  O Toby ficou tão deprimido com a presença dela, jogado pelos cantos, que não vi outra saída, a não ser dar a gatinha para alguém que cuidasse bem dela.

Agora, finalmente, consegui uma outra gatinha, vira-lata mesmo, branquinha, de olhinho azul.  O nome dela é Suzy, tem pouco mais de um mês, é muito meiguinha, mansinha toda vida!   Ela não implica com o Toby, mas ele ainda tem medo dela.  Está se acostumando, acho que vai dar tudo certo.  São os dois que ilustram esse texto, bem na foto do início.

Muita gente diz que não quer ter bichos porque eles morrem e a gente fica sofrendo.  É fato, mas tudo morre nessa vida.  Eu lido bem com essa coisa de morte, muito pelo fato de ser espírita.  Por isso, embora fique triste quando eles morrem, a tristeza passa, mas o amor por eles permanece.

Gosto de cachorros, adoro gatos!  Os animais nos ajudam muito a desenvolver a afetividade, dão responsabilidade às crianças (a muito custo, é claro), fazem companhia, auxiliam os idosos a se sentir úteis e combater a solidão.  Respeitá-los é dever de todos nós.  Nada de maltratá-los, de bater neles, abandoná-los nem arrastá-los pela rua.  Eles são seres vivos, sentem dor, tristeza, decepção.

Quem não gosta de animais ou não tem paciência não deve tê-los.  Ninguém é obrigado a ter um bichinho, muito menos a gostar dele.  Mas respeito é fundamental.  Eu, que já aprendi como é importante respeitar a tudo e a todos, fico muito triste quando os vejo serem tratados sem amor.

Eu amo os animais tanto quanto amo viver, porque eles são uma parte muito boa da vida.

Comentários dos usuários(1):(incluir comentario)

  1. RODRIGO TAVARES em 24 de junho de 2014, disse:

    ola Monica
    Fiquei muito interessado nos seus post sobre animais e estarei em breve escrevendo um livro sobre “os direitos dos animais e deveres dos homens”, e gostaria de convida-la para este assunto que é de interesse internacional.
    Conto com sua participação.
    Rodrigo Tavares

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